meus olhos são muitos, dizem, uns, do que pulsa, do estilhaço pungente, do bruto, uns outros dizem do meu azul infinito, dizem sem palavra alguma no ritmo de "samba e amor". vezenquando se misturam meus olhos, minhas cores que em espirais várias se entrelaçam e fazem de mim um tudo tão absurdo que meu corpo comicha do prazer-insuportável
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
Abafado pós chuvaradas. cinza. nublado. Sol tímido, nas frestas: um dourado pouco no cinza tanto.
Dias de solidez. solidão. as horas escorrendo feito água do banho no corpo magro. ossos. Da minha imagem: pouca nitidez. coisa distocida, desfigurada. Meu dentro nada.
Meus dezesseis anos. meus sonhos. meus dias de falta. meus dias. só meus.
Querendo viver e ser brisa, ventania.
Te amo. dentro de mim. E não poder te dar meu amor, qu'é teu, por direito. Um não sofrer. Um levar, devagar.
Te vejo nessa tua cadeira. E pensar nela vazia, sem você, de hora pra outra, e pra sempre: um sofrer descabido.
Noventa anos, poucas palavras. Te abracei sem nunca ser abraçada.
Até que a morte separe. Amor de camas separadas. Amor.
Uns sonhos já corroídos, esmagados. e tanta saudade...do teu verde na minha vida. Flor. a gente não é essa dor toda.
"Devagar. Devagar, esquece o tempo lá de fora. devagar"
Dias de solidez. solidão. as horas escorrendo feito água do banho no corpo magro. ossos. Da minha imagem: pouca nitidez. coisa distocida, desfigurada. Meu dentro nada.
Meus dezesseis anos. meus sonhos. meus dias de falta. meus dias. só meus.
Querendo viver e ser brisa, ventania.
Te amo. dentro de mim. E não poder te dar meu amor, qu'é teu, por direito. Um não sofrer. Um levar, devagar.
Te vejo nessa tua cadeira. E pensar nela vazia, sem você, de hora pra outra, e pra sempre: um sofrer descabido.
Noventa anos, poucas palavras. Te abracei sem nunca ser abraçada.
Até que a morte separe. Amor de camas separadas. Amor.
Uns sonhos já corroídos, esmagados. e tanta saudade...do teu verde na minha vida. Flor. a gente não é essa dor toda.
"Devagar. Devagar, esquece o tempo lá de fora. devagar"
sábado, 25 de setembro de 2010
No distorcido todo, eu..: colcha de fuxico: retalhos, meus, coloridos costurados.O que ficou. Sobrou.
Corroída.
"For way too long"
"Me in my own world, yeah you there beside"
Nesse torto, tenta chegar até mim
"I tried to get to you"
leve e caindo, é que você foi embora cedo demais.
Só fica aqui, presente, teu silêncio é aconchego no meu áspero, só fica aqui sempre, sempre.
Comeu tudo de mim, ele, que agora: impronunciável, só não comeu minha solidão: minha dor maior, essa velha canção nos teus ouvidos.
Corroída.
"For way too long"
"Me in my own world, yeah you there beside"
Nesse torto, tenta chegar até mim
"I tried to get to you"
leve e caindo, é que você foi embora cedo demais.
Só fica aqui, presente, teu silêncio é aconchego no meu áspero, só fica aqui sempre, sempre.
Comeu tudo de mim, ele, que agora: impronunciável, só não comeu minha solidão: minha dor maior, essa velha canção nos teus ouvidos.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Colagens de todo o não dito
pra minha vó, que nunca vai ler
Vó, a senhora é uma bonita. Vó, você virou flor tanto ficou no meio delas. Te acho bem assim: flor, feito essas lindas, mas que em criança a gente prova e sente o gosto amargo.
"Hoje tem hortelã", amanhã água-benta.
Vó-solidão.
O vô na frente a vó sempre atrás.
Os cabelos mais brancos, lenço na mão, costura, vestido, "é que você não tem a prática"..
Vó-verão.
Em flor: uns cabelos pretos compridos.
Vó, me desculpa.
De antes do vô na vida da vó: trabalho de domingo até as duas.
Teu guarda-chuva que guarda sol.
Implicância, todo cuidado do mundo, sem açúcar sem afeto, o doce predileto em cima da mesa, pega mais.
Pastel melhor do mundo.
Vó mais vô: pra sempre. Dois que são dois, os dois pra sempre.
Vó, te acho linda, você é uma bonita.
Vó, você é tão linda, te juro, me acredita.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Fiquei estilhaçada.
minha carne, em vives (e tanta secura),
podre corroída
jorrando sofreguidão.
eu ainda em flor:
o primeiro vermelho que me arrebata
doente
violência.
Dilacerei.!...
E do bonito de nós
tanto o que perdoar
Coloco à revelia minha fome
meu desejo.
Sendo espera e de uma brancura..
que se abriu, feito flor, no meu peito esse deserto.
minha carne, em vives (e tanta secura),
podre corroída
jorrando sofreguidão.
eu ainda em flor:
o primeiro vermelho que me arrebata
doente
violência.
Dilacerei.!...
E do bonito de nós
tanto o que perdoar
Coloco à revelia minha fome
meu desejo.
Sendo espera e de uma brancura..
que se abriu, feito flor, no meu peito esse deserto.
sábado, 21 de agosto de 2010
Nessa de "nascer" e "morrer"sol,
a casa foi ficando vazia..
os resquícios de presença
sumindo,
os copos e lençóis usados, lavados..
cheiro de amaciante na cama
(que já levou teu cheiro, meu deus!)
que não amacia em nada a dureza das coisas..!
e tanta ausência ainda por vir
vez em quando ausência e perda
se casando.
E fica uma caixa..
de coisas recolhidas do tapete
dos presentes
de coisinhas do carinho fraternal,
que me dói pensar esquecer dos cheiros
dos dias amarelos
de uns dedos entrelaçados
da minha meninês peraltando nos teus ombros tão acima dos meus
Ai, que se eu pudesse guardar tudo...
a casa foi ficando vazia..
os resquícios de presença
sumindo,
os copos e lençóis usados, lavados..
cheiro de amaciante na cama
(que já levou teu cheiro, meu deus!)
que não amacia em nada a dureza das coisas..!
e tanta ausência ainda por vir
vez em quando ausência e perda
se casando.
E fica uma caixa..
de coisas recolhidas do tapete
dos presentes
de coisinhas do carinho fraternal,
que me dói pensar esquecer dos cheiros
dos dias amarelos
de uns dedos entrelaçados
da minha meninês peraltando nos teus ombros tão acima dos meus
Ai, que se eu pudesse guardar tudo...
segunda-feira, 26 de julho de 2010
No cru, tão cinza, fica latente a lembrança de você me despindo da minha solidão. Da minha embriaguez na tua cama. De ser tão (e só) tua.
Me dá teu açúcar, teu afeto, senão fico preguiçosa covarde achando que é só disperdício do meu mel continuar.
Do amor, o meu, te digo inabalável. Mas é de entrega, de o meu amor não te ser uma reserva de sonho contra tudo que não seja doce, sutil ou sereno, que falo.
Eu fico, meu doce, amargo então. Fico assim, de querer muito (tanto) você, de não saber ir embora, de querer e gostar de ser tua.
Me dá teu açúcar, teu afeto, senão fico preguiçosa covarde achando que é só disperdício do meu mel continuar.
Do amor, o meu, te digo inabalável. Mas é de entrega, de o meu amor não te ser uma reserva de sonho contra tudo que não seja doce, sutil ou sereno, que falo.
Eu fico, meu doce, amargo então. Fico assim, de querer muito (tanto) você, de não saber ir embora, de querer e gostar de ser tua.
domingo, 13 de junho de 2010
Tinha os olhos serenos, uns olhos doces, azuis, minha D. Analice.
Veio dar em minha vida quando eu, menina (inhazinha) fui à procura dos livros. Me deu pra ler meu primeiro livro da coleção do cachorinho samba, "A Montanha Encantada", "A Mina de Ouro", ela e o irmão, o meu.
Me lembro de D. Analice preocupada que o amor aos livros faltasse a quem pegasse um inapropriado à idade, ou coisa assim. Ela me dando mil e um livros e falando de todos eles com calma, com amor. Bem mais tarde me falando de Kafka, contando de quando o conhecera, mocinha, bem assim disse "quando eu era mocinha".
Quando foi embora faltou o amor naquela biblioteca, chegaram a fechar.
D. Analice voz doce delicada baixa se despedindo de mim, dizendo que nunca me esqueceria, me deixando no meio do livro reservado um marca página florido "obrigado pela amizade Juliana", me dizendo que gostava muito de mim, e eu morrendo de vontade de abraçar D. Analice e sem ter coragem. Antes de ir embora me disse coisas tão verdade, tão minhas, coisas que nunca ninguém disse.
D. Analice dos meus recreios últimos.
Minha saudade única de um tempo que não gostava, minha lembrança mais doce, ai ai, minha querida Dona Analice.
Me lembro de D. Analice preocupada que o amor aos livros faltasse a quem pegasse um inapropriado à idade, ou coisa assim. Ela me dando mil e um livros e falando de todos eles com calma, com amor. Bem mais tarde me falando de Kafka, contando de quando o conhecera, mocinha, bem assim disse "quando eu era mocinha".
Quando foi embora faltou o amor naquela biblioteca, chegaram a fechar.
D. Analice voz doce delicada baixa se despedindo de mim, dizendo que nunca me esqueceria, me deixando no meio do livro reservado um marca página florido "obrigado pela amizade Juliana", me dizendo que gostava muito de mim, e eu morrendo de vontade de abraçar D. Analice e sem ter coragem. Antes de ir embora me disse coisas tão verdade, tão minhas, coisas que nunca ninguém disse.
D. Analice dos meus recreios últimos.
Minha saudade única de um tempo que não gostava, minha lembrança mais doce, ai ai, minha querida Dona Analice.
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